Período Entre Guerras | Resumo

Texto de Lara Luz (Graduanda em História pela Universidade Federal da Bahia).

No período Entre Guerras, o surgimento do fascismo e nazismo e a eclosão da Segunda Grande Guerra relevaram a falência da paz de Versalhes e da Liga das Nações.

FIM DA PRIMEIRA GRANDE GUERRA E O TRATADO DE VERSALHES (1918)

Em novembro de 1918, o Reich (Império alemão) desmoronou e, na cidade de Weimar, políticos social-democratas proclamaram a República. Começavam as negociações para o estabelecimento de um acordo de paz. O tratado de paz responsabilizou somente a Alemanha pela ocorrência da guerra, o que representava, para muitos, uma humilhação. Ele foi assinado em Versalhes pelo governo social-democrata alemão. Os vencedores, em especial, o governo francês e inglês consideravam a Alemanha responsável pelo confronto e, por isso, o acordo estabeleceu pesadas reparações que deveriam ser cumpridas pela Alemanha.

● Devolução dos territórios da Alsácia-Lorena à França;
● Pagamento aos países considerados vencedores, principalmente França e Inglaterra, uma indenização pelos prejuízos causados durante a Guerra. Este valor foi estabelecido em 269 bilhões de marcos.
●  Proibição de funcionamento da aeronáutica alemã (Luftwaffe);
●  A Alemanha deveria ter seu exército reduzido para, no máximo, cem mil soldados;
●  Proibição da fabricação de tanques e armamentos pesados;
●  Redução da marinha alemã para 15 mil marinheiros, seis navios de guerra e seis cruzadores;
● Entrega de parte da produção de carvão e minério para a França a título de reparação de guerra;
● Ocupação militar estrangeira em caso de agitações;
● Proibição de união com a Áustria.

Paz ou prenúncio de outra guerra? Muitos historiadores concordam em afirmar que o desfecho mal realizado da Primeira Guerra Mundial alimentou a Segunda Grande Guerra. Nesse sentido, haveria uma relação de continuidade que só se torna inteligível se considerarmos a humilhação alemã e os problemas de ordem econômica que afetaram todo o continente no período Entreguerras.

ASCENSÃO DO FASCISMO NA ITÁLIA

A vitória contra os alemães e os austríacos não significou tanto, pois a Itália foi marginalizada nos debates em torno do tratado de paz discutido em Versalhes. Assim, o país terminava a guerra com uma economia combalida, os preços dos alimentos subiam, não havia recursos para sua reconstrução, operários ligados a organizações comunistas ameaçavam seguir o caminho dos russos para chegar ao poder, os partidos políticos não eram fortes, o cenário era de completa instabilidade político-institucional.

Esse foi o contexto de emergência do Partido Nacional Fascista de Benito Mussolini. Mussolini acreditava que só a união nacional em torno de um partido poderia acabar com a “ameaça” socialista e o imperativo individualista do pensamento liberal. Assim, o Partido Nacional Fascista representava a realização dessa união nacional capitaneada pelo Duce, Benito Mussolini.

Mussolini canalizou vários descontentamentos para o seu projeto de poder. Soube explorar os sentimentos antiparlamentar e anti-esquerdista para se projetar no cenário político. O partido tinha um grupo paramilitar conhecido como Exército dos Camisas Negras, que atuava a margem da lei.

Em 1922, Mussolini organizou a “Marcha sobre Roma”, movimento no qual os membros dos Camisas Negras de todo o país marcharam com simpatizantes até a capital, com o intuito de mostrar sua força ao rei Victor Emanuel III. O rei decidiu, então, dissolver o Parlamento e convidar Mussolini para ser o primeiro-ministro italiano. Os fascistas, dessa forma, chegaram ao poder sem passar por um processo eleitoral.

As críticas foram várias de setores liberais e organizações sindicais vinculadas ao movimento socialista. Mussolini afirmava que em breve realizaria eleições, contudo a eleição só veio a acontecer em 1924, depois de garantir que os fascistas já ocupavam majoritariamente as instituições do Estado. O resultado foi a vitória dos fascistas, que por fraude na contagem passaram a ter mais de 60% dos assentos no parlamento italiano, algo que até então nunca havia acontecido na história da Itália. Sob justificativa de conter a “ameaça” comunista que denunciava a fraude fascista nas eleições, Mussolini institui um estado totalitário no país através das leis fascistíssimas contando e com apoio da Igreja (papa Pio IX) e da realeza italiana.

A Igreja apoiou o Estado fascista e firmou um acordo na cidade de Latrão (1929) em que aceitava a perda dos territórios anexados para a formação da Grande Itália, pretendida por Mussolini, mediante o pagamento de indenização do Estado, a instituição do ensino religioso nas escolas e a criação do Estado do Vaticano, cujo chefe seria o Papa.

Daí em diante, a postura do Duce se mostrava cada vez mais belicista. Mussolini falava da Grande Itália do passado, que ressurgiria com ações militares que garantissem os interesses da indústria nacional italiana  em detrimento a dos outros países.

O nível de emprego aumentou, o custo de vida diminuiu e Mussolini ficou muito popular. Seus pronunciamentos eram acompanhados por milhares de pessoas, constituindo um verdadeiro movimento de massas mobilizadas.

QUEBRA DA BOLSA DE VALORES DE NOVA YORK (1929)

Diante do cenário pós Guerra, os países europeus procuravam diminuir a dependência dos produtos norte-americanos por meio de políticas protecionistas que possibilitassem a recuperação de suas próprias indústrias. A primeira “quebradeira” foi no setor agrícola norte-americano, os produtores se endividaram pois apostavam na Europa como mercado principal de exportação mas as políticas europeias protecionistas dificultava as exportações. Os produtores tiveram que hipotecar terras, com isso, os bancos ficaram fortalecidos e a atividade na bolsa continuou intensa. Até mesmo a classe média norte-americana passou a participar das compras de ações. O problema se dava aí, se a classe média aumentava o nível da poupança para aplicar na Bolsa de Valores, quem iria comprar os produtos que saiam da linha de produção? Quando muitos começaram a perceber que as empresas não dariam o lucro imaginado, houve uma corrida à Bolsa para a venda de ações. Milhões de títulos colocados à venda e não houve comprador. Era a quebra da bolsa de valores. Empresas faliram, o desemprego cresceu, o consumo foi reduzido ainda mais e novas demissões foram anunciadas. Homens se suicidavam por terem perdido todas as suas economias.

Foi o efeito dominó da crise nos Estados Unidos que configurou a Grande Depressão. Recursos investidos no exterior eram repatriados para fazer frente à crise, empresas dos EUA que atuavam fora do país fechavam filiais e a crise começava a afetar o mundo.

ROOSEVELT E O NEW DEAL

O New Deal, novo acordo ou nova transação, foi um programa de ação executado pelo governo do presidente Franklin Roosevelt, nos Estados Unidos, entre 1933 e 1945, com o objetivo de resgatar o crescimento econômico responsável pelo crash de 1929 . As diretrizes do New Deal levavam o governo federal a intervir na economia. Para reduzir a superprodução agrícola, o governo subsidiou os fazendeiros que deixassem suas terras em pousio (descanso, sem semeadura). Também decretou a semana legal de 40 horas e o pagamento de salário mínimo. Tal como aconteceu nos Estados Unidos, outros países tiveram de mudar as regras do jogo para reativar suas economias, abrindo mão dos principais postulados do liberalismo clássico.

A ASCENSÃO DO NAZISMO

Compreender  a ascensão do nazismo é entender a história da Alemanha pós Primeira Guerra Mundial. O país estava arrasado, as condições econômicas eram péssimas, nível de emprego baixo, inúmeras fábricas fechadas e produção agrícola nos mais baixos índices de produtividade.

Logo no encerramento da Primeira Guerra Mundial, a Alemanha conheceu um levante comunista que só se acalmou após a morte de Rosa Luxemburgo. Contudo, os setores conservadores da Alemanha  não aceitavam a assinatura do Tratado de Versalhes pelos membros do governo republicano, e os militares acusavam o governo social-democrata instituído de ter entregado o país para os inimigos. Em resumo, A Alemanha vivia o caos do fim da Primeira Guerra.

Agitações ocorriam em todo o país, uma em especial ficou conhecida como o Putsch da Cervejaria, ocorrida em Munique. Um de seus lideres teria sido um soldado na Primeira Guerra conhecido como Adolf Hitler. O levante contra o governo foi prontamente reprimido e Hitler conheceu a prisão. Encarcerado, começou a escrever um livro Mein Kampf (Minha Luta). Nesta obra, apresentou suas ideias sobre a supremacia ariana e a conspiração judaica (“dos inferiores”) para exercer o domínio do mundo. Seu pensamento assentava-se nas teorias racistas do século XIX e em uma visão estética que recuperava o ideal clássico de beleza (greco-romano), por oposição à arte das vanguardas modernas, considerada arte degenerada.

Hitler organizou o partido que passou a expressar o ideal nazista, tal partido tornou-se em pouco tempo uma realidade política nos quadros institucionais da Alemanha. Essa escalada do Partido Nacional-Socialista ao poder começou no início dos anos 1920. Até 1922 o líder do partido, auxiliado pela SS (Brigada de Defesa) e AS (Tropas de Assalto) ou “Camisas Pardas”, adotou medidas de violência com o objetivo de impedir as manifestações dos trabalhadores filiados aos partidos de esquerda.

No final da década de 1920, a recuperação econômica alemã foi violentamente interrompida pelo crash de 1929. Em 1930, as eleições para o Parlamento realizaram-se num clima de instabilidade econômica e social. Diante do avanço Nazista no Parlamento, o presidente Hindemburg atendeu às pressões das elites e dos setores médios e indicou Hitler para primeiro-ministro em 1933.

O nazismo adotou uma série de medidas responsáveis pela consolidação de um sistema totalitário e foi assumida uma postura contrária às determinações do Tratado de Versalhes. Iniciava-se o rearmamento alemão, campanhas publicitárias atacavam os judeus, campos de concentração eram criados para os inimigos do nazismo e divulgava-se a ideia de arianismo associada ao expansionismo territorial.

A imprensa passou a ser controlada e se tornou porta-voz do governo, o pluripartidarismo cedeu lugar ao unipartidarismo, os indivíduos contrários ao sistema sofreram com a repressão e foram presos, deportados ou executados, o Estado organizou a sociedade em corporações e a indústria pesada recebeu incentivos, em especial a indústria bélica.

DESDOBRAMENTOS E INÍCIO DA SEGUNDA GUERRA MUNDIAL

O expansionismo territorial teve curso com a anexação da Áustria, país de população alemã, aos domínios da Alemanha. Hitler afirmava que os superiores não podiam ficar separados, então sua ação contribuía para a afirmação do arianismo em nome do espaço vital que possibilitasse o pleno desenvolvimento dos alemães.

Tropas alemães, sem que o governo tcheco fosse ouvido, invadiram também os Sudetos e na sequência tomaram toda a Checoslováquia (região com população alemã que desde o final da Primeira Guerra estava sob domínio da Checoslováquia), essa tomada não estava prevista pelo acordo de Apaziguamento entre os “quatro grandes” (Alemanha, Itália, França e Inglaterra). Mas essa ação nazista deu mais força às pretensões belicosas de Hitler. Em seguida, Hitler reclamou o chamado “corredor polonês” que havia sido entregue à Polônia como parte do acordo de paz de 1919.

A partir desse momento, a política de apaziguamento se esgotava. A França e Inglaterra intervêm e afirmam que se a Polônia fosse invadida seria como uma declaração de guerra a essas duas potências. Então, Hitler cuida de acertar um Pacto de Não Agressão com a União Soviética, pois não tinha interesse nesse primeiro momento que a URSS entrasse no confronto, e também já evitando correr o risco de dividir as tropas em dois fronts, como havia acontecido na Primeira Guerra. Stálin, comandante da URSS,  também não pretendia entrar em uma guerra logo de início e imaginava o desgaste dos franceses e ingleses mais interessantes do que um combate imediato ao nazismo. Esse acordo foi fechado no dia 23 de agosto de 1939, uma semana depois a Alemanha invadia a Polônia dando início à Segunda Guerra Mundial.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s