Primavera dos Povos de 1848 e as Unificações da Itália e Alemanha | História III

Teoria e Prática: os ideais liberais, nacionalistas, socialistas e democráticos nas revoluções de 1848

Série de insurreições que abalaram as monarquias europeias, onde tinham fracassado as tentativas de reformas políticas e econômicas. De caráter liberal democrático e nacionalista, foram iniciadas por membros da burguesia e da nobreza que exigiam governos constitucionais, e por trabalhadores e camponeses que se rebelaram contra os excessos e a difusão das práticas capitalistas.
A “primavera dos povos” marcou o despertar das nacionalidades que exigiram dos impérios a concessão de suas autonomias. O movimento foi efêmero (1848-1850), mas o enfraquecimento da monarquia absoluta e o impulso dado aos ideais liberais, sociais e nacionalistas tiveram consequências duradouras.
Essas revoluções provocaram um golpe violento na reação representada pela Santa Aliança, aniquilando-a. Além disso, outros fatores podem ser arrolados para explicar o problema. Entre 1846 e 1848, as colheitas na Europa Ocidental e Oriental foram péssimas. Os preços dos produtos agrícolas subiram violentamente e a situação das classes inferiores piorou.
Ao mesmo tempo, verificava-se uma crise na indústria, particularmente no setor têxtil. O aumento da produção ocasionou a superprodução. A crise na agricultura diminuiu ainda mais o consumo dos produtos manufaturados pelo empobrecimento dos camponeses. A paralisação das atividades fabris resultou em dispensa dos trabalhadores e redução nos salários, exatamente quando os preços dos gêneros de primeira necessidade subiam vertiginosamente.
Os recursos financeiros dos países europeus foram carreados para a aquisição de trigo na Rússia e Estados Unidos. Isto afetou os grandes empreendimentos industriais e a construção das estradas de ferro, em franco progresso na oportunidade. A paralisação das atividades nestes setores arrastou outros, provocando a estagnação econômica geral.
A crise variou de país para país. Na Itália e Irlanda foi mais agrária; na Inglaterra e França, industrial, bem como na Alemanha. A miséria gerou o descontentamento político. A massa dos camponeses e proletários passou a reclamar melhores condições de vida e maior igualdade de recursos.
No fundo, constituíam-se ideias socialistas, mas como não existia um partido socialista organizado que pudesse orientar estas classes, coube aos liberais e nacionalistas, compostos pela burguesia esclarecida, exercerem a oposição ao governo, contando com o apoio da massa, muitas vezes sem orientação própria.

O processo de unificações na Itália e na Alemanha

Unificação Italiana
Processo que compreende a criação do reino da Itália unificada em 1861. Após o Congresso de Viena de 1815, a Itália ficou totalmente dividida e, com os antecedentes de 1848, o sentimento nacionalista italiano estava limitado a pequenos grupos da aristocracia e da classe média.
O movimento revolucionário adquiriu um acentuado caráter nacionalista devido à atuação de Giuseppe Mazzini. Sua sociedade secreta, a Jovem Itália, organizou células revolucionárias em toda a península. Pio IX, eleito papa em 1846, apoiou o fervor nacionalista, que culminaria com as revoluções de 1848. A primeira delas obrigou Fernando II de Bourbon, rei das Duas Sicílias, a outorgar uma Constituição para todo o reino. O rei do Piemonte-Sardenha, Carlos Alberto, publicou o Estatuto Fundamental (Constituição) e acreditou na necessidade de declarar guerra à Áustria.
Na primavera de 1848, a independência parecia imediata. Porém os piemonteses foram derrotados pelos austríacos e Carlos Alberto teve que abdicar em favor de Vítor Emanuel II. A intervenção francesa acabou com a República instituída por Mazzini em Roma, apesar da defesa de Giuseppe Garibaldi. Apenas no Piemonte sobreviveu um regime constitucional. A nomeação do conde Camillo Benso di Cavour para a presidência do Conselho, em 1852, permitiu a unificação da Itália em pouco mais de uma década.
Cavour e Napoleão III planejaram uma guerra contra a Áustria que foi derrotada nas batalhas de Magenta e Solferino, ficando a Lombardia sob o domínio de Vítor Emanuel II do Piemonte-Sardenha.
Os ducados da Toscana, Parma e Modena e parte dos Estados Pontifícios (as Marcas e a Úmbria) optaram, mediante plebiscitos populares, pela união com o Piemonte que se havia transformado no Reino da Itália do Norte no transcurso da primeira metade de 1860.
Garibaldi, por outro lado, pôs fim ao reino das Duas Sicílias, estabelecendo um Parlamento para representar toda a Itália, exceto Roma e Veneza, proclamando Vítor Emanuel II rei da Itália (17 de março de 1861). Após a intervenção na Guerra Austro-prussiana (1866), aliando-se à Prússia, a Itália obteve o estado de Veneza pela Paz de Viena e, pelo apoio na Guerra Franco-prussiana (1870), recebeu os Estados Vaticanos. As relações com o Papado foram normalizadas pelos Tratados de Latrão.

Unificação Alemã
União formada pela Confederação da Alemanha do Norte e outros estados alemães, que levou à constituição do Segundo Império Alemão em 1871. Otto Von Bismarck foi nomeado ministro-presidente da Prússia, pelo imperador Guilherme I, em setembro de 1862. A intenção era ampliar o território da Prússia à custa dos estados vizinhos da Alemanha do Norte. Em primeiro lugar, iniciou uma guerra contra a Dinamarca, com a finalidade de anexar o ducado de Schleswig. Com a ajuda do imperador austríaco, Francisco José I, a Dinamarca foi derrotada e teve que ceder o Schleswig-Holstein aos dois vencedores.
Após a vitória, a Prússia e a Áustria entraram em guerra, em 14 de junho de 1866, diante da impossibilidade de um acordo sobre o futuro do território conquistado. O Exército austríaco foi aniquilado e a Prússia passou a dominar os territórios da Alemanha do Norte, forçando os outros estados alemães dessa região a formar a Confederação da Alemanha do Norte.
As intrigas diplomáticas entabuladas por Bismarck sobre a aspiração de Leopoldo de Hohenzollern ao trono da Espanha, levaram a França a declarar guerra à Prússia em 19 de julho de 1870. Os estados alemães do sul se uniram à Prússia. Os exércitos de Napoleão III foram derrotados na batalha de Sedan e em Metz. O Imperador francês abdicou, a Terceira República foi proclamada e, em 28 de janeiro de 1871, foi assinado um armistício com a Prússia. A França foi obrigada a ceder à Prússia as províncias da Alsácia e Lorena. O rei da Prússia, Guilherme I, foi proclamado imperador da Alemanha pelos outros príncipes alemães em janeiro de 1871.

Consequências da Unificação Alemã
A unificação dos Estados germânicos foi um evento que gerou inúmeras consequências, imediatas ou posteriores, em toda a Europa e que foram responsáveis pela instabilidade no território europeu até a metade do século XX. É possível dizer que a unificação alemã foi um dos principais motivos para a eclosão da Primeira Guerra Mundial. A unificação da região de Alsácia-Lorena ao Segundo Reich Alemão gerou o revanchismo francês. Os franceses inconformados com a situação e com a humilhação provocada pelos alemães (como na coroação de Guilherme I no próprio Palácio de Versalhes, em território francês) mantiveram um sentimento de revanche que foi decisivo na política de alianças dos países europeus até quando eclodiu o conflito em 1914. Outro fator de influência para o surgimento do conflito foi a batalha dos países europeus por territórios na África e Ásia, no período conhecido como neocolonialismo. Os alemães, recém unificados, exigiam uma redivisão colonial nos continentes, o que aumentou a tensão entre as potências.

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